
INDÚSTRIA
74% dos empresários consideram infraestrutura do Nordeste regular, ruim ou péssima
Por Redação - Em 28/08/2024 às 4:43 PM

Lançamento do estudo da CNI na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, em Fortaleza
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou nesta semana o relatório “Panorama da Infraestrutura – Edição Nordeste”, apresentando uma análise detalhada das condições de infraestrutura na Região Nordeste do Brasil. O estudo destaca que 74% dos empresários industriais avaliam a infraestrutura da região como regular, ruim ou péssima.
O relatório, apresentado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e na Reunião de Diretoria da CNI, também sediada na Fiec, fornece um panorama abrangente das áreas de transporte, energia e saneamento básico nos nove estados nordestinos. Este é o segundo de uma série de cinco estudos elaborados pela CNI para mapear as condições de infraestrutura nas regiões brasileiras e identificar as necessidades de investimento do setor industrial.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, sublinhou a importância do relatório para a melhoria da infraestrutura regional, crucial para o fortalecimento da indústria e da economia. “Esse estudo é fruto de uma articulação com empresários e com as federações das indústrias da Região Nordeste no intuito de preparar e fortalecer a infraestrutura dos estados para a neoindustrialização que o Brasil precisa”, afirmou Alban.
A infraestrutura é fundamental para o crescimento econômico, o aumento da produtividade e a redução de custos no processo produtivo. A CNI alerta para a necessidade urgente de resolver as ineficiências no setor.
O presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, também enfatizou o papel vital da infraestrutura no desenvolvimento nacional e na redução das desigualdades regionais. “No Nordeste, o avanço das energias renováveis, como a produção de hidrogênio verde (H2V), representa um grande impulso para a região. Além disso, a conclusão de projetos estruturantes, como a Transnordestina, impulsionará a economia regional e facilitará a integração com o resto do mundo”, destacou Cavalcante.
O relatório revela que três em cada quatro executivos de grandes e médias indústrias no Nordeste consideram a infraestrutura da região insatisfatória, com problemas logísticos refletidos em altos índices de acidentes rodoviários e deterioração da malha ferroviária.
Dividido em três partes principais, o relatório aborda:
Retrato da Infraestrutura: Dados descritivos sobre o setor de infraestrutura, coletados de fontes oficiais.
Pesquisa de Percepção do Empresário Industrial: Diagnóstico das condições de infraestrutura e prioridades de investimento, segundo empresários locais.
Propostas para Avançar na Infraestrutura: Sugestões regionais e nacionais para mitigar os principais problemas identificados.
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, observou que a infraestrutura deficiente é um dos principais componentes do Custo Brasil. “A deterioração das malhas rodoviária e ferroviária representa um problema crônico que limita a eficiência logística na região”, pontuou Muniz.
Entre os gargalos identificados pelos empresários estão a infraestrutura das rodovias, o custo do combustível, a limitada malha ferroviária, problemas de acesso e infraestrutura dos portos, além de desafios no transporte aéreo e em tecnologia.
Apesar das dificuldades, o governo federal tem se esforçado para reduzir o déficit de infraestrutura com o Novo PAC, que prevê R$ 700 bilhões em investimentos na Região Nordeste.
Um ponto positivo destacado pelo relatório é o setor de energia renovável, com o Nordeste liderando a produção de energia eólica e solar no Brasil. Em 2023, a região tornou-se exportadora de energia, enviando 3.100 MW médios ao sistema interligado nacional, em contraste com a importação de 360 MW médios anuais antes de 2019.
Mais notícias


Negócios Luso-Brasileiros
