Igreja católica

Na intercessão de Padre Cícero: uma oração pela cura do Papa Francisco

Por Redação - Em 27/02/2025 às 7:49 PM

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O ministro  Teodoro Silva Santos, recorda da ocasião em que recebeu a bênção papal, acompanhado de sua esposa Anamaysa Nogueira Santos, em  2024

Os últimos dias têm sido marcados por apreensão, diante do quadro de saúde delicado do Papa Francisco. Mas também se revelaram dias de esperança e fé na recuperação plena do Sumo Pontífice.

Católico fervoroso, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Teodoro Silva Santos, se junta aos milhões de fieis que rogam pela saúde do chefe da Igreja Católica.

Teodoro Silva Santos recorda com emoção da ocasião em que recebeu a bênção papal, acompanhado de sua esposa Anamaysa Nogueira Santos, em 23 de outubro de 2024. Lembra que se identificou, emocionado, como filho do Juazeiro, devoto de Padre Cícero. Com o terço em mãos, fez um agradecimento pelo que o Sumo Pontífice fez pelo “Padim”.

“Tamanha é a minha gratidão que me junto aos romeiros do Brasil inteiro e, sobretudo, os de Juazeiro que estão em oração pela pronta recuperação do Papa Francisco, sob a poderosa intercessão do servo de Deus Padre Cícero, nosso Padim Ciço”, confessa o ministro em artigo publiado no iBandCE.

Ele observa que, desde a escolha de seu nome pontifício, o Papa Francisco fez uma opção preferencial pelos pobres e marginalizados, ao fazer referência ao Santo de Assis. Da mesma forma, desde a juventude, Cícero Batista Romão (1844-1934) viu em sonho o plano de Deus para a sua vida: ajudar os mais vulneráveis por meio do seu ministério sacerdotal.

“A figura de Padre Cícero ultrapassa os limites da religião para se tornar um símbolo cultural, político e espiritual do Nordeste brasileiro. Conhecido por sua influência sobre os fiéis e pela controversa relação com a Igreja Católica, ele passou grande parte da vida em Juazeiro do Norte, no Ceará, onde se tornou uma lenda viva e um santo popular”, reconhece Teodoro Silva Santos.

Profundo conhecedor da história de Padre Cícero, o ministro discorre sobre o assunto com maestria. “Nascido em 24 de março de 1844, no Município do Crato, no Ceará, Cícero Romão Batista foi criado em uma família católica humilde. Desde jovem, demonstrou inclinação para o sacerdócio, pois um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales. Ingressou no seminário em Fortaleza, sendo ordenado padre em 1870”, observa.

E continua: “a historiografia afirma que Padre Cícero resolveu fixar morada em Juazeiro, então um pequeno povoado, devido a um sonho, ao anoitecer de um dia exaustivo, após horas a fio confessando pessoas do arraial, em que viu Jesus Cristo e os Doze Apóstolos sentados à mesa, como na última Ceia. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Nesse momento, Nosso Senhor apontou para os pobres e, voltando-se para ele, ordenou: – E você, Padre Cícero, tome conta deles!”.

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O ministro recorda com emoção da ocasião em que esteve com o Papa Francisco

Teodoro lembra que o destino de Padre Cícero mudou quando ele se estabeleceu em Juazeiro. Com um forte compromisso social e missionário, não apenas evangelizava, mas também ajudava a comunidade, incentivando práticas de desenvolvimento local e organização popular. Seu prestígio cresceu, aos 45 anos, após um suposto milagre em 1889, quando uma hóstia teria se transformado em sangue na boca da “beata” Maria de Araújo. O evento repetiu-se por mais 138 vezes, em um período de quase 2 anos, atraindo milhares de romeiros e consolidando a devoção ao Padim Ciço.

“Apesar do fervor popular, a hierarquia eclesiástica viu os acontecimentos com espanto e desconfiança. Uma comissão inicial de investigação, formada por dois médicos e um farmacêutico, além de dois religiosos, concluiu que não havia explicação natural para o ocorrido. Contudo, uma segunda comissão, constituída por dois padres e nomeada por insatisfação do bispo Dom Joaquim José Vieira, classificou o evento como um fenômeno incomum, mas não milagroso. Assim, o feito sobrenatural não foi reconhecido pela autoridade local, e Padre Cícero acusado de propagar fanatismo e misticismo”, diz o ministro.

Ele reforça que, em 1894, Padre Cícero foi suspenso da prática sacerdotal, impedindo-o de celebrar missas e administrar sacramentos, e, em 1898, teve sua suspensão das ordens confirmada pelo Vaticano, apesar dos esforços de obter a absolvição junto ao Papa Leão XIII. Apesar de existir um decreto de excomunhão contra ele, este nunca chegou a ser efetivado. Nos anos seguintes, Padre Cícero se tornou uma figura política – mais forçado pelas circunstâncias do que motivado pelo gosto pessoal –, sendo o primeiro prefeito de Juazeiro em 1911, após a emancipação da cidade do Crato, e atuando na defesa dos mais desfavorecidos.

O ministro observa que, mesmo afastado do altar, o religioso cearense nunca perdeu a influência espiritual sobre as pessoas, tendo sido convidado a ser padrinho de milhares de devotos. Daí o afetuoso apelido “Padim Ciço”, representado a fé popular e a fama de santo milagreiro.

“Dessa infindável lista de batizados, minha mãe, Alaíde Silva Santos, nascida em 1º de fevereiro de 1930, teve a grande graça de ser apadrinhada por ele. Já meu avô, José Paulino da Silva, comerciante em Juazeiro, não realizava nenhum negócio relevante, sem antes se aconselhar com ele”, recorda.

E conclui o ministro: “esse legado religioso e familiar de meu saudoso avô, José Paulino, e de minha inesquecível mãe, Alaíde Santos, me contagiou a ponto de, durante toda a minha vida pública, notadamente na carreira jurídica – desde delegado de polícia e professor até membro do Ministério Público, Desembargador e Ministro de Tribunal Superior –, nunca enfrentei qualquer disputa, sem antes consultar a Deus e recorrer à forte intercessão do meu Padim Cícero. E, para comprovar sua eficácia, sempre fui atendido!”

Segundo enfatiza, esse santo popular, falecido em 20 de julho de 1934, deixou uma herança de fé e luta social em busca de melhores condições de vida e trabalho. Durante décadas, fiéis reivindicaram sua reabilitação canônica. O processo formal começou em 2006, liderado pelo bispo Dom Fernando Panico, que enviou volumosos documentos à Cúria Romana, junto a centenas de milhares de assinaturas. Depois de 9 anos de trabalho de uma comitiva criada para estudar a vida do clérigo brasileiro, o Vaticano, sob o Pontificado do Papa Francisco, concedeu o perdão a Padre Cícero em 13 de dezembro de 2015, restaurando sua dignidade e relevância na Igreja. A reabilitação oficial permitiu que seu nome voltasse a ser lembrado positivamente no meio eclesiástico.

“Eis que mais recentemente, agora sob o pastoreio de dom Magnus Henrique Lopes, atual bispo do Crato, foi anunciada uma notícia que traz alegria não só aos irmãos nordestinos, mas a todos os brasileiros amados desta Terra de Santa Cruz: avançaram os pedidos para a sua beatificação, impulsionados pela forte devoção popular. No dia 24 de junho de 2022, foi declarado ‘servo de Deus’ pela Congregação para a Causa dos Santos da Santa Sé, quando foi autorizada a abertura do processo de beatificação, que antecede a canonização. A confirmação depende do reconhecimento de um milagre atribuído a ele, critério essencial para sua elevação a beato, abreviação de bem-aventurado”, acrescenta.

Padre Cícero continua sendo um dos personagens mais venerados do Brasil. Em 10 de outubro de 2023, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Seu impacto espiritual e social transcendeu épocas, e sua reabilitação representa um importante gesto de justiça histórica.

“Com o processo de beatificação em curso, sua influência segue viva, perpetuada na fé de milhões de romeiros que anualmente visitam Juazeiro do Norte para homenagear esse “Santo do Povo”, reitera Teodoro Silva Santos.

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