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Estudo aponta que 39% das MPMEs brasileiras ainda usam métodos manuais para gerir finanças
Por Redação - Em 21/01/2025 às 4:33 PM

Nas regiões Norte e Nordeste, a resistência à implementação de soluções especializadas é ainda mais expressiva FOTO: Pixabay
Uma pesquisa recente revelou um cenário preocupante sobre a gestão financeira das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) no Brasil. Embora a digitalização tenha avançado em muitos setores, grande parte desses negócios ainda adota práticas tradicionais e manuais para controlar suas finanças. De acordo com o 1º Panorama da Gestão de Despesas Corporativas no Brasil, estudo lançado nessa segunda-feira (20) pela Conta Simples e pela Visa, 39% das MPMEs brasileiras utilizam métodos como planilhas e cadernos para gerenciar a entrada e saída de recursos.
No caso específico dos microempresários, esse número sobe para 45%, refletindo uma resistência significativa à adoção de ferramentas mais avançadas. Entre os principais motivos para manter a gestão manual, destacam-se a percepção de alto custo de soluções tecnológicas (44%) e a praticidade de continuar com o modelo que já estão habituados (45%).
A pesquisa, realizada entre novembro e dezembro de 2024, ouviu 1.524 empreendedores de diversas regiões do Brasil. O estudo aponta ainda que 65% dos empresários de menor porte utilizam planilhas como ferramenta principal para controle financeiro, enquanto 52% recorrem a aplicativos e extratos bancários. Surpreendentemente, 38% dos entrevistados afirmam não ver necessidade de adotar ferramentas de gestão automatizadas.
O levantamento também destacou disparidades regionais no uso de tecnologia para a gestão de despesas. Nas regiões Norte e Nordeste, a resistência à implementação de soluções especializadas é ainda mais expressiva. No Norte, 70% dos entrevistados indicaram preferir continuar com a gestão manual, enquanto no Nordeste esse percentual é de 67%. Já na região Sul, o número de empresários que consideram desnecessário buscar plataformas de gestão de despesas chega a 55%.
Esses dados acendem um alerta sobre a realidade financeira das MPMEs no Brasil, o que pode impactar diretamente sua competitividade e capacidade de tomar decisões estratégicas. Para a diretora financeira (CFO) da Conta Simples, Taeli Klaumann, o uso de métodos antiquados de gestão pode levar a decisões erradas e tardias. “A falta de visibilidade em tempo real compromete a tomada de decisões estratégicas, colocando as empresas em desvantagem”, afirma Klaumann.
O estudo também revelou os fatores que poderiam motivar as MPMEs a adotar plataformas de gestão de despesas. O principal deles é o custo-benefício das ferramentas, apontado por 49% dos entrevistados. Além disso, uma linguagem simples (39%) e suporte acessível (36%) foram destacados como características importantes para facilitar a transição para soluções mais tecnológicas.
Esse cenário revela um desafio importante para as MPMEs brasileiras, que precisam equilibrar o custo das novas tecnologias com os benefícios da automação na gestão de despesas. O estudo reforça a necessidade urgente de adaptação ao ambiente digital, essencial para a sustentabilidade e o crescimento das empresas no Brasil.
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