RELATÓRIO

Redução do comércio internacional pode diminuir oportunidades de crescimento e inclusão social, diz OMS

Por Redação - Em 09/09/2024 às 3:06 PM

Conteiner, Exportações

O relatório da OMC destaca que reformas unilaterais de comércio adotadas por países em desenvolvimento, em média, fortaleceram o crescimento econômico entre 1 e 1,5 ponto porcentual

O relatório “Comércio e Inclusão: Como Fazer para que o Comércio Funcione para Todos”, divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), revela que a redução do comércio internacional pode diminuir oportunidades de crescimento e inclusão social para muitos países. Para enfrentar esses desafios, é crucial que governos adotem medidas internas para fortalecer suas economias e completem suas políticas de exportações e importações.

No documento, a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, adverte que o protecionismo comercial não é uma solução eficaz para promover a inclusão social. “Restringir o comércio é normalmente uma forma cara de proteger empregos para grupos específicos na sociedade e pode elevar custos de produção, além de provocar retaliações de parceiros comerciais desapontados”, afirma Okonjo-Iweala.

O relatório destaca que reformas unilaterais de comércio adotadas por países em desenvolvimento, em média, fortaleceram o crescimento econômico entre 1 e 1,5 ponto porcentual. Esse impulso resultou em um aumento de 10 a 20 pontos porcentuais na renda ao longo de uma década. Entre 1995 e 2020, a redução dos custos do comércio contribuiu para um crescimento de 6,8% do produto interno bruto (PIB) mundial em termos reais, enquanto economias de baixa renda expandiram 33%.

Ngozi Okonjo-Iweala sugere que a “re-globalização” é uma abordagem mais promissora para fazer com que a economia global funcione para todos. Isso envolve a inclusão de mais países no comércio internacional por meio de investimentos direcionados para aumentar suas exportações e importações. “Novas e prospectivas regras” em áreas como comércio digital, facilitação de investimentos para desenvolvimento e regulação de serviços domésticos são vistas como fundamentais para avançar o processo de re-globalização. “Manter o livre comércio baseado em regras previsíveis deve ser parte do caminho de qualquer país para uma maior inclusão”, ressalta a diretora-geral.

O relatório também aponta que algumas economias não se beneficiaram plenamente da globalização devido a altos impostos domésticos e no exterior, baixa integração regional, burocracia administrativa, infraestrutura deficiente e instituições frágeis. Essas dificuldades limitaram o acesso a mercados internacionais, tecnologia estrangeira e insumos de alta qualidade. Além disso, um grupo de nações enfrentou obstáculos para expandir suas exportações devido à falta de diversificação em sua cesta de produtos.

O documento da OMC destaca que tensões geopolíticas, revoluções tecnológicas e o aquecimento global representam riscos significativos para o progresso das economias de baixa renda. No entanto, a diversificação das cadeias internacionais de produção, o aumento das exportações e importações de serviços e a expansão comercial em energias renováveis e minerais essenciais para tecnologias climáticas podem criar novas oportunidades para países em desenvolvimento.

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